‘Amolou a faca e veio para me matar’, conta mulher que sofreu violência doméstica durante 30 anos

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Ex-marido ficou preso por nove meses em Palmas, mas está solto. Em todo o Tocantinsa, 17 mil processos envolvendo violência contra a mulher tramitam na Justiça. Mais de 17 mil processos de violência doméstica ainda estão em tramitação no TO
“Amolou a faca e veio me matar”, relata uma moradora de Palmas, de 50 anos, que sofreu violência doméstica. O agressor era o marido, com quem ficou casada por 30 anos. Casos como esse são frequentes no Tocantins. O Tribunal de Justiça fez mutirão para tentar acelerar 17 mil processos envolvendo violência que tramitam no estado.
A moradora da capital relata que ficou entre a vida e a morte por várias vezes. O casamento era marcado por agressões e desculpas no dia seguinte. “Nós não queríamos dar parte, ele pedia desculpas e ficava por isso mesmo”.
Outra tentativa de feminicídio aconteceu quando ela já tinha saído de casa. O marido não aceitou o fim da separação.
“Estava chegando do serviço, peguei carona com um colega meu para vir [para casa] Quando eu desci, me deu vontade de virar para trás, quando eu virei, ele estava avançando no rapaz com o facão. Ele não conhecia, não sabia quem era, desviou e foi embora. Quando eu vi ele já veio com o facão na mão, gritando que ia me matar e eu corri”.
O ex-marido da vítima ficou preso por nove meses, mas está solto. Ela deixa um alerta para outras mulheres. “Sair logo no começo, separar e não voltar mais porque não muda, não adianta querer”.
Mulher conta que sofreu violência doméstica por 30 anos
Reprodução/TV Anhanguera
Só no primeiro semestre deste ano, 1.886 medidas protetivas foram expedidas em todo o estado. Ao todo, tramitam 17 mil processos envolvendo violência contra a mulher, sendo que 172 são de feminicídio.
Durante essa semana, o judiciário fez um mutirão para julgar os processos de violência.
“A mulher pensa: ‘Eu vou denunciar, para onde eu vou com as minhas crianças?’. Muitas vezes, ela faz a denúncia e é obrigada a voltar para casa. Outras vezes, quando eu que trabalho com essa temática vejo que a situação é gravíssima, qual é a providência que eu tenho para preservar a vida dessa mulher, requisitar passagens nas empresas de ônibus e pedir que essa mulher vai embora para a casa de algum parente”, afirmou a juíza coordenadora do Combate à Violência Doméstica, Cirlene de Assist.
Os casos de agressões se intensificaram durante a pandemia da Covid-19, quando casais passaram a ficar mais tempo em casa. A preocupação é com os casos subnotificados. Para a juíza, é necessário fortalecer a rede de proteção.
“Essa é mais uma luta nossa de instalação de casas abrigos pelo menos por regiões no estado do Tocantins. Nós precisaríamos de uma casa abrigo em Gurupi, uma em Palmas, Natividade, Araguaína, Tocantinópolis. Essa é uma demanda do Tribunal de Justiça junto ao poder Executivo”.
Em nota, a Secretaria de Cidadania e Justiça disse que há um grupo de estudos do governo para criação de abrigos para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, enquanto isso tem trabalhado no enfrentamento da violência, por meio de campanhas informativas e divulgação de canais de denúncias.
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Fonte: G1 Tocantins