Funcionários de UTIs Covid terceirizadas denunciam falta de pagamento e insumos: ‘É muito desumano’

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Empregados de Porto Nacional e Gurupi estariam sem receber há dois meses por falta de repasse do governo do Tocantins. Há relato de falta de materiais básicos e até tubos para intubar os pacientes graves. Leitos de UTI no Hospital Geral de Gurupi
Jairo Santos/TV Anhanguera
Profissionais que trabalham nos leitos de UTI Covid no Hospital Regional de Porto Nacional e do Hospital Geral de Gurupi (HGG) denunciaram neste sábado (4) que estão trabalhando sem contrato e sem salário desde junho. Também há denúncia de falta de insumos básicos e até tubos para intubação de pacientes graves.
Os leitos de UTI Covid nas duas unidades são administrados pela Innmed Gestão em Saúde. O G1 solicitou um posicionamento da empresa e da Secretaria de Estado da Saúde (SES), mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Servidores que pediram para não se identificarem contaram ao G1 que em Gurupi estão trabalhando sem contrato assinado desde junho, quando os leitos começaram a funcionar no HGG.
“A gente está sem receber há dois meses, porque já estamos em setembro. Estamos sem receber julho e agosto. A gente não assinou contrato nenhum, eles não deram nenhum contrato para a gente assinar”, contou.
Segundo o servidor, a empresa alega que os atrasos ocorrem devido à falta de repasses do governo do estado. O problema, inclusive, estaria afetando o tratamento ofertado aos pacientes.
Há relatos de falta de vários insumos como gaze, seringas, agulhas e tiras para verificação de diabete, por exemplo. Também faltam medicamentos para sedação dos pacientes.
“Já chegou a faltar tubo na hora de intubar o paciente. Foi intubar, cadê o tubo? Não tinha na unidade. Isso aconteceu algumas vezes. Paciente precisar fazer hemodiálise e faltar alguma peça ou kit para pegar o acesso [na veia], precisar fazer raio-x e está quebrado”, relatou.
Diante de tantos problemas, segundo os funcionários, a unidade não está recebendo novos pacientes e muitos empregados não estão indo trabalhar. Apesar disso, no portal Integra Saúde da SES, não há registro de bloqueio de leitos em nenhuma das duas unidades.
“A gente fez um juramento para ajudar essas pessoas. Então muitas pessoas estão indo trabalhar lá por causa dos pacientes. Como vamos deixar eles lá? Vão morrer? Queremos receber e que as coisas lá se legalizem porque é muito desumano”, desabafou.
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Fonte: G1 Tocantins