Todos os dias cerca de 40 pessoas procuram a Defensoria Pública por conta de problemas na saúde no estado. Metade destes atendimentos é relacionado à busca por medicamento. Falta de medicamentos na rede estadual tem feito pacientes correrem riscos
Pacientes transplantados do Tocantins estão com dificuldade para conseguir medicamentos que ajudam a evitar a rejeição do órgão. Este é o caso do aposentado Manoel Antônio Rodrigues. Em 2004 ele precisou fazer um transplante de rim e desde então tem que tomar o micofenolato de sódio.
Há mais de um mês está sendo difícil conseguir o medicamento, que deveria ser disponibilizado pela rede pública de saúde. “Agora está faltando, mês passado não peguei. O medo é perder o rim e voltar de novo para a hemodiálise”, lamentou.
O medicamento que ele está tomando atualmente foi cedido pela médica que o acompanha, mas como não dá para o mês todo foi preciso reduzir a dosagem. Em vez de de dois comprimidos ele está tomando apenas um por dia.
O aposentado conta que foi pessoalmente até à assistência farmacêutica do estado três vezes, além de fazer inúmeras ligações. Na maioria das vezes o telefone está sempre ocupado. “Tem vez que eu fico ligando assim repetido, mais ou menos uns 20 minutos repetindo. Quando atende fala que não tem nem previsão”, disse.
Aposentado não consegue medicamento para evitar rejeição de rim
Reprodução/TV Anhanguera
O médico nefrologista Giordano Floripe Ginani explica o risco de ficar sem a medicação. “Se a gente não usa o medicamento adequado, da forma adequada, o natural é o processo de a rejeição surgir”, disse.
O caso do Manoel Antônio não é isolado. Todos os dias cerca de 40 pessoas procuram a Defensoria Pública por conta de problemas na saúde no estado. Pelo menos metade busca justamente por medicamentos. Para o defensor Arthur Pádua, a situação é um problema crônico do Tocantins.
“É muito comum os pacientes chegarem à Defensoria reclamando de falta de medicação, seja para transplante de fígado, de rim, medicações oncológicas, a somatropina, que é o hormônio de crescimento das crianças. É muito comum estar em falta no estoque da assistência farmacêutica e muitos tratamentos são interrompidos”, explicou o defensor.
O que diz a Secretaria de Estado da Saúde
A Secretaria de Estado da Saúde afirmou que a responsabilidade de aquisição do o medicamento Micofelonato de sódio 360 mg, em comprimido, é do departamento de assistência farmacêutica do Ministério da Saúde.
Disse ainda que recebeu mil comprimidos no dia 26 de abril e outros 1.200 no dia 2 de maio. Todos foram distribuídos para as unidades de assistência farmacêutica de Palmas, Araguaína, Porto Nacional e Gurupi, no entanto, a quantidade foi insuficiente para atendimento dos pacientes. A Secretaria disse que aguarda agendamento do ministério para receber mais remédios.
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Fonte: G1 Tocantins
