Oito em cada dez amostras achadas em laboratórios irregulares precisam ser refeitas

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Das 2.762 coletas para exames de rastreamento do câncer de colo do útero, apenas 366 foram consideradas viáveis. Lacen diz que pacientes precisarão fazer novas coletas de amostras; entenda
Oito em cada dez amostras de exames recolhidas em laboratórios irregulares, durante operação da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária, foram comprometidas e deverão ser coletadas novamente. Todo material foi encontrado prestadores de serviço do governo do estado em Palmas e Araguaína, no norte do Tocantins, durante o mês de maio.
Ao todo, o Laboratório de Saúde Pública do Tocantins (Lacen), catalogou 2.762 amostras de exames para rastreamento do câncer de colo do útero, o chamado preventivo, mas apenas 366 foram consideradas viáveis.
“Nós identificamos nesta análise individual de cada caso, amostras sem pedido de exames, amostras sem a identificação correta do paciente. Também havia amostras que já ultrapassaram o tempo correto e recomendado para análise”, explicou a diretora do Lacen, Jucimária Dantas.
Estas pacientes deverão ser convocadas novamente para novas coletas. “Nós estaremos encaminhando esse relatório nominal de todas as situações que foram identificadas para gerência de oncologia, que fará contato com os municípios para que façam a busca ativa destas pacientes”, disse.
Amostras sendo analisadas pelo Lacem
Reprodução/TV Anhanguera
Uma força-tarefa foi montada para tentar realizar a análise técnica e entregar os resultados das amostras viáveis, com laudos, ainda este mês.
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De todo o material recolhido em Palmas e Araguaína ainda restam mais de 1.500 amostras de biópsias que seriam utilizadas em exames para identificação de câncer. Essa análise não é feita no Lacen e o governo fez a requisição de laboratórios particulares para que o serviço seja feito.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), inicialmente, dois laboratórios devem ficar responsáveis por analisar esse material. O objetivo do governo do estado agora é mudar o modo de contratação para esse tipo de prestação de serviço.
“A empresa que tiver interesse vem e faz o credenciamento. Eu tenho capacidade de ter várias empresas prestando serviço. É até melhor porque consigo fazer comparação da qualidade do serviço”, explicou o secretário de saúde Afonso Piva.
A situação dos dois laboratórios foi descoberta durante uma operação da Polícia Civil que investigava fraudes em contratos. Os agentes flagraram laboratórios irregulares armazenando material biológico como úteros em potes improvisados, como embalagens de doces, espalhados por uma casa.
Os contratos com as empresas investigadas e foram cancelados e um novo modelo de fiscalização deve ser implantado. “Se os fiscais são técnicos vão fazer a parte da fiscalização técnica do contrato. No mesmo contrato eu posso ter uma fiscalização administrativa. A gente contrata um biomédico e também um advogado, para a fiscalização administrativa”, explicou.
Operação apreendeu amostras humanas em potes de plástico
Divulgação/Polícia Civil
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Fonte: G1 Tocantins