A vez da quentinha vegana: Camarins do Rock in Rio têm menos bebidas alcóolicas e mais pedidos saudáveis

0
70

Ingrid Berger, coordenadora de backstage do festival, conta mudanças no perfil de pedidos dos artistas. Festival começa nesta sexta-feira (2). Conheça os bastidores do palco mundo do Rock In Rio
Os camarins dos artistas do Rock in Rio deste ano estão mais saudáveis, como as disputadas quentinhas veganas (veja cima reportagem sobre os bastidores do festival).
Nas listas de pedidos das equipes das estrelas entram menos bebidas alcóolicas e mais gente optando por opções que passam longe do fast food. É o que diz a produtora de eventos Ingrid Berger, coordenadora de backstage e responsável pelos camarins do Palco Mundo no Rock in Rio.
Área do backstage do Rock in Rio 2022
Reprodução/TV Globo
QUIZ Responda perguntas e descubra qual atração do Rock in Rio 2022 tem mais a ver com você
AO VIVO Shows ao vivo, programação, vídeos, ingressos, fotos e cobertura em tempo real
Ela trabalha nesta área do Rock in Rio desde 2001 e tem passagens por outros festivais como Hollywood Rock, Monsters of Rock, Skol Beats, e grandes turnês de Paul McCartney, Rolling Stones, Coldplay, Guns N’Roses e Iron Maiden.
“Mudou muito a lista de pedidos”, conta ao g1. “Se a gente voltar lá nos anos 80, era muito rock and roll. Tinha muito pedido de junk food, hambúrguer e muita bebida alcóolica, eram outros tempos, eram mais loucos.”
“Lembro de um Rock in Rio, em que eu entrei no camarim e estava cheio de presunto na parede. Sabe aquelas bandas que tocam o terror? Eram muito jovens”, diverte-se.
Público começa a entrar na Cidade do Rock para o primeiro dia de Rock in Rio (2 de setembro)
Graça Paes/AgNews
Ela garante que hoje essa banda já está mais velha e os integrantes são verdadeiros “gentlemen”, super educados.
Quem nesta edição chegou a causar uma apreensão na produtora foi o Måneskin, banda novata e que estreia no festival. “Não sei como eles são pessoalmente no camarim, mas pelos vídeos que a gente vê, eles são meio louquinhos. Mas assim, louquinhos-saudáveis, porque na lista deles não apareceu nada de absurdo, nem rock and roll.”
Rock in Rio 2022 em 1 minuto: Måneskin
Ingrid diz que aumentou o número de pessoas que pedem comidas veganas como opção de cardápio. “Antigamente, em uma equipe de 200 pessoas, por exemplo, ia aparecer um vegano. Hoje, numa equipe assim, já são 20.”
Para atender essa turma, neste ano, ela conta que o esquema será de “take away”: no catering, a pessoa se identifica e recebe sua quentinha vegana para levar.
Em uma passagem de som, na quarta-feira, (31), Ingrid conta que foi pega de surpresa pelo vocalista do Sepultura, Derrick Green, que pediu um lanchinho vegano. “Cara, ele não tinha me falado e não tinha mesmo nada para ele”, afirma. “A gente vê eles enlouquecidos no palco, heavy metal, e estão aqui, 11 horas da manhã, tranquilos, tomando café, suquinho, comendo no catering.”
No camarim de Demi Lovato, por exemplo, não tem bebida alcóolica de jeito nenhum. Demi foi internada em uma clínica de reabilitação em 2018, e fala sobre as dificuldades de se manter sóbria em seu novo disco, “Holy Fvck”.
Rock in Rio 2022 em 1 minuto: Demi Lovato
A cantora Iza, que está vindo com cerca de 40 bailarinos, optou também por não ter bebidas alcóolicas nos bastidores: só água, sucos e refrigerantes.
Já o Green Day, nada de fumar por perto dos integrantes da banda e da equipe. Aliás, a regra é não fumar na área dos camarins. “Quem quiser, vai ter que fumar lá fora, porque a gente não sabe quem pode se incomodar.”
Rock in Rio 2022: Como e onde assistir aos shows do dia do metal
Há semelhanças entre os pedidos, o que Ingrid chama de kit camarim: frutas, sanduíches e crudités, aqueles legumes como cenoura e nabo cortados, com molhinhos para beliscar. Por vezes, ainda entram as tábuas de frios e queijos.
As equipes também estão mais cuidadosas ao indicar os alérgicos, com letras garrafais. “Neste Rock in Rio, temos alérgicos a frutos do mar, kiwi e a cebola e alho”, conta.
“Não sabemos quem são essas pessoas, mas pedi para identificar quem é alérgico a cebola e alho, porque vai ter que ter um prato preparado especialmente para ela totalmente sem tempero. Como é que no Brasil a pessoa vai comer alguma coisa sem cebola e sem alho?”, diz.
O corre dos bastidores
O trabalho de Ingrid começa assim que é assinado o contrato com a banda. Ela e um gerente de produção do artista ficam em contato e é enviado a ela o rider (lê-se raider), uma lista com os pedidos de como deve ser e o que deve ter nesse camarim.
“Aí, a gente vai negociando: às vezes eles pedem 13 camarins, mas eu não tenho tudo isso, só tenho sete. Águas Fiji, a gente não tem aqui, não adianta pedir”, afirma.
Rock in Rio 2022 em 1 minuto: Marshmello
E então, começa as danças das cadeiras, como ela chama, para acomodar todo mundo, já que os artistas viajam com equipes que podem chegar a 200 pessoas na produção. “O DJ Marshmello é um só, e vem com dez pessoas, então, posso colocar em um camarim simples. Já o Guns, vem com uma equipe grande, e eu consegui um anexo para eles.”
As listas de pedidos, segundo ela, não extrapolam os limites do possível. “Não tem nenhum elefante desta vez”, diz. Justin Bieber, por exemplo, pediu a banheira de imersão com gelo. “Não sei qual é o benefício para a saúde” diz. “Mas o Jared Leto tinha pedido quando veio. Eu sei que ele tem bastante dor nas costas e mergulhar nessa banheira alivia”, diz.
Recentemente, Bieber precisou interromper a turnê “Justice” para tratar de uma paralisia facial causada por uma síndrome rara chamada Ramsay Hunt. Ele retomou os shows em julho. O cantor também foi diagnosticado com a doença de Lyme em 2019.
Justin Bieber durante apresentação no MTV Video Music Awards 2021, em Nova York
Bennett Raglin/Getty Images North America/Getty Images via AFP
Já a produção de Dua Lipa pediu uma mesa de pingue-pongue, e Post Malone, uma de beerpongue. “Ela é mais estreita e mais comprida que a de pingue-pongue. Mandei as medidas e as fotos das mesas que eu tinha aqui e a brincadeira vai ser feita em uma mesa de bufê”, afirma.
O Iron Maiden, já escolado no Rock in Rio, tem a sua área reservada para massagem. Ingrid diz que quando ela está montando, coloca cortinas e leva velas. “Eles viajam com os massagistas que já trazem as macas. Um pouco antes, deixo mais aconchegante.”
As bandas também costumam viajar com os próprios chefs, como é o caso deste ano do Coldplay e do Green Day. “Nós montamos aqui uma cozinha para eles. Esta não é tão grande, mas serve bem”, diz.
Membros da banda Green Day comemoram MTV EMA de Melhor Artista de Rock neste domingo (3), em Sevilha
Cristina Quicler/AFP
A equipe de produção de Ingrid trabalha 24 horas por dia durante o Rock in Rio. São dez pessoas fixas, e ainda seguranças, carregadores e a equipe de limpeza, divididos em três turnos. “Quando o festival começa, já alivia um pouco porque eu sei que tudo que foi pedido, está comprado e chegou”, diz.
Aí o trabalho durante o festival é a tal dança das cadeiras: sai um artista, desmonta todo o camarim e começa a montar outro de acordo com o gosto da banda seguinte. A sala de massagem do Iron Maiden vira a área do baterista de outra banda, o vestiário é o camarim do grupo, tira cadeira, coloca cadeira, e por aí vai.”
E se não tiver ou faltar alguma coisa? “Durante todos esses anos, eu aprendi a trabalhar com a sinceridade: não tem, so sorry”, diz. E como lidar quando dá errado, o artista e a equipe reclamam além da conta? “Aí é muita calma nessa hora e eu tenho um mantra: ‘ele vai embora amanhã’.”
Veja mais sobre o Rock in Rio

Fonte: G1 Entretenimento