De janeiro a 16 de setembro do ano passado, foram 165 registros. Mãe da menina Saphira fala sobre angústia e esperança de reencontrar a filha sumida desde maio de 2021. Mais de 350 pessoas desapareceram no Tocantins só em 2022
O número de desaparecidos aumentou no Tocantins. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, 356 casos foram registrados neste ano. De janeiro a 16 de setembro do ano passado, foram 165. Mesmo com a angústia, as famílias seguem na luta com a esperança de reencontrar quem nunca mais voltou para casa.
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Suzana Ferreira é mãe da menina Saphira, desaparecida desde maio do ano passado. Com a foto da filha no celular, ela tenta matar a saudade, mas é inevitável. Em abril, a casa da família foi incendiada de forma criminosa. Suzana disse que foi ameaçada de morte.
“Eu sei que ela está em um bom lugar, que Deus está guardando ela para mim”, disse a mãe.
A menina desapareceu no setor Morada do Sol I. Ela brincava na porta de casa e não foi mais vista. Mesmo após mais de um ano, a mãe não tem informações sobre o paradeiro dela.
“Nunca mais tive informações, nem de delegado. Nunca mais me ligaram, nunca mais fizeram mais nada. Eu nem sei se o caso ainda está sendo investigado”, lamenta ela.
Saphira Ferreira Lima, de 10 anos, desapareceu no dia 30 de maio de 2021
Arquivo Pessoal
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A produção da TV Anhanguera questionou a SSP sobre o caso da menina Saphira e ainda aguarda uma resposta.
Os dados da SSP divergem do Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (SINALID), o qual registrou 56 desaparecimentos em todo o estado neste ano. A promotora de Justiça, Isabelle Figueiredo, disse que o sistema pode estar desatualizado.
“No SINALID, apesar de ser um sistema de localização e identificação de desaparecidos do Ministério Público, quem alimenta é todo o sistema de segurança, inclusive hospitais. Então, é muito provável que haja uma falha de comunicação e localização dessas pessoas dentro do sistema de segurança pública”.
O Ministério Público coordena as atividades para que todos os órgãos que atuam no desaparecimento de pessoas possam usar o SINALID de forma correta.
Na última semana, o MPE e os Conselhos Tutelares de Palmas se reuniram para que esse serviço seja melhorado, principalmente nos casos de crianças e adolescentes desaparecidos.
“Há a necessidade da autoridade que receber essa informação do desaparecimento acionar aeroportos, rodoviárias, Polícia Rodoviária Federal, com uma foto dessa pessoa, os órgãos de imprensa também tem o espaço de utilidade pública”, afirmou o promotor de Justiça, Sidney Fiori.
Quando aos 56 casos de desaparecidos que constam no SINALID, o Ministério Público disse que segue cobrando da polícia uma resposta.
“Todo inquérito policial existe prazo de conclusão e o Ministério Público, por meio da sua promotoria, que cuida do controle externo da atividade policial, está sempre cobrando a resolução com eficácia para que o caso seja resolvido da melhor forma possível”, ressaltou o promotor.
Uma cartilha com o passo a passo do fluxo de atendimento para localizar pessoas desaparecidas será lançada em breve.
“Com essa cartilha, a partir de agora, a gente vai uniformizar a atuação de todas essas instituições, Polícia Civil, Polícia Militar, IML, Instituto de Identificação. Todos esses vão estar juntos dizendo qual é a melhor forma, dentro desses órgãos, de agir quando a gente tem desaparecidos no estado”, pontuou a promotora Isabelle.
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Fonte: G1 Tocantins
