Mãe na adolescência, jovem conta que trancou faculdade para ‘comprar as coisas do neném’

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Só em 2022 foram 3.766 adolescentes grávidas no estado. Registros de gravidez na adolescência vêm caindo no Tocantins, mas os números ainda preocupam. 3.766 bebês nasceram de mães adolescentes no Tocantins em 2022
A Joycemeyre Abreu ficou grávida aos 17 anos e precisou abandonar os estudos para se dedicar ao filho Davi, hoje com quatro anos. Os registros de gravidez na adolescência vêm caindo no Tocantins, mas os números ainda são considerados preocupantes.
“Eu descobri que estava grávida e comecei a tentar falar com a minha mãe. Só que toda vez que eu a via ficava com dó. Eu tive que contar. Ela não gostou, chorava muito porque eu era muito nova e ela não queria que eu passasse por isso. Comecei a fazer o pré-natal e ela sempre me acompanhou mesmo não gostando da ideia”, contou a auxiliar administrativa.
Assim como Joycemeyre, outras 3.766 adolescentes ficaram grávidas no estado em 2022.
Na época em que engravidou ela estudava o curso de direito, mas teve que trancar para pagar as despesas do filho. “Eu tive que trancar porque ou eu comprava os enxovais do neném com a minha mãe, porque na época era ela que pagava a faculdade. Ela teve que trancar para comprar as coisas do neném”, lembrou.
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Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, no ano de 2021 nasceram 4.297 bebes de mães adolescentes. O número baixou em 2022, mas ainda é considerado alto.
“Apesar dessa redução que vem acontecendo no Brasil nessas últimas duas décadas, a gente ainda considera preocupante porque mais de três mil crianças nasceram dentro desta faixa etária de dez a 19 anos, são meninas adolescentes [as mães]”, comentou a psicóloga Viviane Paiva, técnica de atenção primária do Estado.
A gravidez na adolescência pode trazer diversos impactos para as mães que acabam interrompendo sonhos para assumir essa grande responsabilidade. A especialista destaca que ainda é preciso intensificar as ações realizadas pelo poder público desde a atenção básica.
“Intensifica ainda mais, muitas vezes, a condição de vulnerabilidade social. Continua expondo elas a questões de desigualdade de gênero, emprego, renda, continuidade dos estudos e projeto de vida. Para a gente isso é muito preocupante”, disse.
Joycemeyre Abreu ficou grávida aos 17 anos
TV Anhanguera/Reprodução
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Fonte: G1 Tocantins