Mulher engravida mesmo usando DIU e não consegue atendimento para retirar contraceptivo: ‘É triste passar por isso’

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Moradora de Palmas diz que procurou ajuda em uma Upa e no Dona Regina, mas teria que fazer exame na rede particular. Se paciente não retirar DIU, pode até sofrer aborto, diz ginecologista. Mulher grávida vive com dores e não consegue tirar diu na rede de saúde de Palmas
Com dois filhos para cuidar e sem emprego, Juliana Santos Rodrigues descobriu que está grávida novamente. O detalhe é que há três anos ela colocou um dispositivo intrauterino, ou DIU, na rede pública. Mas agora ela quer tirar o contraceptivo e não consegue atendimento nas unidades de saúde de Palmas.
Isso está gerando problemas de saúde na gestante. “É triste passar por isso. Viver morrendo de dor, não poder dormir direito por causa desse DIU que está me incomodando bastante. É sofrimento passar por isso”, disse Juliana.
Com fortes dores abdominais e sangramento, procurou a Unidade de Pronto Atendimento Sul e foi encaminhada para o Hospital e Maternidade Dona Regina. Mas na unidade estadual, disse que apenas entrou e saiu, e nenhum profissional deu assistência.
A única orientação que recebeu era para fazer um exame na rede particular. “Não passaram nenhum remédio, nem na entrada, nem na saída. Só pediu essa ultrassom e mandou eu ir embora. Como se a gente fosse qualquer tipo de coisa”.
Juliana Santos Rodrigues está desempregada e já tem dois filhos
TV Anhanguera/Reprodução
Indicação
O DIU é um método contraceptivo e o procedimento para colocação está na lista dos serviços ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para conseguir a aplicação, a mulher deve procurar a unidade básica de saúde, que vai receber encaminhamento para os centros especializados.
Mas ele pode se deslocar e aumentar as chances de uma gravidez, como aconteceu com Juliana. Em casos assim, o indicado é procurar imediatamente a ajuda de um profissional. Apesar disso, é considerado o método mais seguro, segundo o ginecologista Eduardo Godinho.
“A cada 500 mulheres que colocam o DIU, uma engravida. É praticamente a mesma taxa de mulheres que foram esterilizadas”, explicou.
Mas no caso de gravidez, pode até causar o aborto do feto. “A possibilidade de abortar é maior do que de não abortar. Esse é o grande problema de se usar o DIU gravida”, alertou o médico.
DIU só pode ser retirado nas unidades de saúde
TV Anhanguera/Reprodução
O que dizem as secretarias de Saúde
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (Semus) disse que a paciente esteve numa consulta ginecológica no dia 23 de janeiro na Unidade de Saúde da Família (USF) Eugênio Pinheiro e foi solicitado uma ultrassom transvaginal. O exame foi autorizado para ser realizado na sexta-feira (10), mas foi cancelado após três tentativas de contato com a paciente. A Semus esclareceu que Juliana deverá procurar a USF de referência para nova solicitação e que os usuários devem manter o cadastro atualizado
Já a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) informou que a referida paciente deu entrada no Dona Regina no dia 7 e que foi medicada e mantida em observação. A equipe também afirmou que Juliana não disse que estava grávida, nem havia a informação no encaminhamento para exame. A SES pede que a paciente procure novamente para reavaliação e realização de ultrassom.
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Fonte: G1 Tocantins