Sequência de assassinatos amedronta população em Palmas e parentes das vítimas pedem justiça: ‘não era menino de rua’

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Só neste ano, 63 pessoas foram assassinadas em Palmas. A maioria dos casos aconteceu na região sul da capital. Em Palmas, 63 pessoas são assassinadas só no início deste ano
As últimas noites desta semana foram as mais violentas do ano em Palmas. De acordo com um levantamento do g1, com base nos dados oficiais, 63 pessoas foram assassinadas entre 1º de janeiro e 10 de maio de 2023. As famílias das vítimas protestam por justiça e pedem reforço na segurança.
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Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmam a alta de violência e apontam aumento de 231% no índice de mortes se comparando ao mesmo período de 2022, quando tinham sido 19 mortes.
Victor foi assassinado a tiros em Palmas
Reprodução/TV Anhanguera
Entre as vítimas recentes está Victor Gabriel Alves Saraiva dos Santos, de 18 anos. Segundo a família, ele trabalhava como auxiliar num viveiro de eucalipto em um assentamento. A vítima foi brutalmente assassinada durante uma ida ao supermercado.
“Ele saía todo dia às 6h e chegava às 17h. Quando ele não estava no campinho, ele estava no quarto dele, não era menino de rua, de farra, de bebedeira. A gente quer um esclarecimento pela morte do Victor”, comenta a tia do jovem, Lilian Alves.
A família diz que Victor não tinha passagem pela polícia.
Outra vítima, de 23 anos, trabalhava com o pai, que atua na área de reciclagem e é motorista de caminhão. Os vizinhos estão apavorados.
“Era um menino muito humilde, muito carinhoso, brincalhão em nossa rua. Nós só queremos justiça, porque da forma como ele foi brutalmente assassinado não justifica”, descreve o vizinho Sebastião Souza.
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As famílias ouvidas pelo TV Anhanguera afirmam que as vítimas não tinham relação com violência. A polícia, no entanto, afirma que a maior parte dos casos de morte envolve uma disputa entre facções.
“Em torno de 75% são pessoas que têm ou não envolvimento com a polícia, já tem uma passagem ou alguma coisa envolvendo a polícia. No entanto, destes 75% nós percebemos que 65% tem uma faixa etária baixo de 30 anos, um perfil jovem. Então, a gente consegue verificar alguma interligação entre alguma atividade, vamos dizer ilícita, em que às vezes vem uma cobrança futura”, disse o Secretário Estadual de Segurança Pública, Wlademir Costa, em entrevista à TV Anhanguera.
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O secretário afirma que um percentual de 30% dos homicídios registrados no ano foram solucionados e 27 suspeitos foram presos durante as investigações. Segundo ele, a secretaria está investindo em capacitação dos policiais e reforçou a Delegacia de Homicídios de Palmas.
“Paralelamente nós estamos investindo mais na Denarc [Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos], reformulando a Denarc para poder atacar o tráfico de drogas. Além disso, a Deic [Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado] vai agir com mais rigor na questão das organizações criminosas”, afirmou o secretário.
Enquanto a violência não ameniza, a população relata o medo.
“Está muito inseguro. Aqui, oito horas da noite ninguém fica do lado de fora, todo mundo se tranca com medo de levar bala, de estar sentada na cadeira e chegar gente atirando. Tá difícil”, lamenta a dona de casa Ângela Maria.
As polícias militar e civil informaram que têm intensificado o policiamento nas regiões onde estão sendo registrados os homicídios.
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Violência que se repete
A sequência de homicídios registrada desde o início de maio é semelhante a onda de assassinatos que ocorreu em fevereiro deste ano. Em uma única noite quatro pessoas foram mortas, entre elas, três moradores de rua. Na época, as polícias Civil e Militar afirmaram que a maioria das mortes tinha características de execução estariam relacionadas com a criminalidade.
Homicídio Morada do Sol
Antoniel Silva/Tv Anhanguera
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Fonte: G1 Tocantins