Defensoria Pública está acompanhando a situação nas unidades de saúde e informou que 70 pacientes aguardam por leitos no HGP. Saúde Estadual diz que transferência obedece critérios médicos. Pacientes aguardam por dias na UPA Sul e não conseguem transferência para HGP
Depois que uma mulher morreu na Unidade de Pronto Atendimento de Palmas (UPA Sul), em Taquaralto, aguardando vaga para ser transferida para o Hospital Geral de Palmas (HGP), outros pacientes estão passando pela mesma situação. É o caso de Adriana Franca da Silva, que está com vesícula inflamada e desde terça-feira (9) espera na UPA Sul.
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Um dia antes de Adriana chegar na Unidade, na segunda-feira (8), Aurilene Lima da Silva, de 41 anos, morreu após sentir dores abdominais. Segundo o esposo Isaías Rodrigues Pereira, de 37 anos, a UPA solicitou três vezes a transferência para o hospital estadual, mas a paciente acabou morrendo. O marido foi informado que a suspeita da causa da morte era dengue hemorrágica.
“Minha esposa está aqui internada desde terça-feira à noite. Com pedra na vesícula, vomitando bastante e tomando medicamento. Só que o medicamento não está resolvendo a situação dela. Fizeram o encaminhamento para o HGP só que até agora não foi porque diz que não está tendo vaga”, disse o esposo de Adriana, o ajudante de pedreiro Francinaldo Ferreira da Conceição.
Adriana Franca aguarda transferência para o HGP
Divulgação
Outra paciente da UPA Sul, a dona Maria do Nascimento está há cinco dias aguardando para ir para o HGP. Ela tem um tumor no fígado e aguarda a vaga.
“É um caso bastante avançado porque já está bastante grande. Ela não está bem e a gente precisa dessa vaga lá”, disse Nária do Nascimento Santos, que está acompanhando a dona Maria.
Busca por Justiça
O esposo da paciente Aurilene, que morreu na UPA Sul na segunda-feira informou que registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil, pois quer esclarecimentos sobre a morte da mulher.
Ele contou que Aurilene esteve por duas vezes na unidade, foi medicada para diminuir a dor e no início da manhã de segunda-feira (8), seu quadro de saúde piorou. Ela precisou ser intubada e por volta das 11h Isaías recebeu a notícia da morte da esposa.
Aurilene e Isaías na Upa Sul
Divulgação
A fila de espera para leitos no HGP passa de 70 pacientes. Para tentar evitar novas mortes por desassistência, a Defensoria Pública do Estado (DPE) tenta na Justiça obrigar o Estado a fornecer pra população o direito previsto na constituição. Segundo o defensor Arthur Pádua, os pacientes não podem ficar mais que 48 horas na UPA.
“O que aconteceu é que o estado implementou um sistema de regulação onde ele tranca as portas do hospital, uma série de pacientes graves que estão nas UPAs ou nos hospitais do interior permanecem às vezes uma semana, dez dias , desassistidos, porque a UPA não tem estrutura para atender esses pacientes mais graves, e o hospital nega vaga”, explicou o defensor público Arthur Pádua.
Para o Isaías, a vida sem a esposa não será mais a mesma. “Daqui para frente vai ser um momento muito difícil para mim. Vai ser triste, estou sentindo muita falta dela”, lamentou o esposo de Aurilene.
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O que dizem os órgãos de saúde
Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde disse que está empenhada em transferir os pacientes citados e que trabalha para reduzir o tempo de espera. Com relação à forma que é feita a transferência, a gestão estadual informou que obedece critérios médicos, que avaliam a urgência de cada caso.
Sobre o atendimento de Aurilene na UPA, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) de Palmas explicou que fez o pedido para que ela fosse para o HGP, mas não havia vaga.
Quanto à necessidade de intubar a paciente, Secretaria de Saúde de Palmas disse que os profissionais das UPAs têm plena capacidade de realizar o procedimento caso seja necessário. Sobre os outros pacientes, a Semus explicou que eles estão sendo acompanhados e ambos foram inseridos no Sistema Estadual de Regulação (SER) da SES e aguardam liberação de leito no HGP.
Confira os posicionamentos na íntegra:
Semus
A Secretaria Municipal da Saúde de Palmas (Semus) informa que as pacientes estão sendo acompanhadas integralmente pela Unidade de Pronto Atendimento Sul (UPA Sul). Ambas foram inseridas no Sistema Estadual de Regulação (SER) da Secretaria de Estado da Saúde SES-TO) e aguardam liberação de leito no Hospital Geral de Palmas. A Semus destaca que todos os dias atualiza duas vezes o quadro clínico dos pacientes ao SER.
SES
A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) informa que o acolhimento dos pacientes oriundos das Unidades de Pronto Atendimentos da Capital, ou das unidades de saúde referenciadas para o Hospital Geral de Palmas (HGP), obedecem critérios dos médicos reguladores, da Central Estadual de Regulação, que avaliam a urgência de cada quadro clínico relatado pelos solicitantes.
A SES-TO destaca que atualmente, o HGP possui 29 médicos com especialidade em cardiologia e a Pasta segue, desde o ano passado, com chamamento aberto para mais contratações, contudo há escassez dos referidos profissionais no mercado, desafio enfrentado não apenas pelo estado do Tocantins, mas por muitas regiões do país.
A SES-TO esclarece que as equipes do HGP estão em pleno empenho na transferência das pacientes mencionadas, buscando garantir a sua pronta assistência. Por fim, a Secretaria reitera seu firme compromisso em reduzir ainda mais o tempo de espera, que atualmente é de até 24 horas para casos menos complexos, assegurando um atendimento contínuo, ágil e humanizado a todos os pacientes.
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Fonte: G1 Tocantins
