Em um ano, 42 pessoas morreram nas UPAs de Palmas aguardando transferência para o HGP

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Situação estaria sendo causada pelo sistema de regulação implantado no hospital que é referência para a capital. Levantamento foi feito pela direção das Unidades de Pronto Atendimento. Manoel Chacareiro morreu em UPA de Palmas, esperando vaga no HGP
Reprodução/TV Anhanguera
Em um ano, 42 pacientes que estavam nas Unidades de Pronto Atendimento de Palmas morreram na fila da regulação esperando por uma vaga no Hospital Geral de Palmas ou outra unidade com estrutura para atender casos mais graves.
O levantamento foi feito pela direção das UPAs e os dados são referentes ao período entre maio do ano passado até o dia 11 deste mês. O g1 pediu posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e aguarda resposta.
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Uma destas vítimas foi o Manoel, de 76 anos. Ele tinha um problema no coração causado pela doença de Chagas e morreu na UPA sul no dia 8 de março, à espera de vaga no HGP. Sobre o caso dele, SES disse que a morte aconteceu “em menos de dez horas”, enquanto ainda buscavam vaga. (Veja a nota abaixo)
“Ficou esperando a regulação. Nós demos entrada no dia 7 de março e meio pai veio a falecer. Para nós foi algo muito difícil. Estamos ainda sofrendo muito com a falta do nosso pai”, disse a filha dele, Célia Batista.
Na semana passada a empregada doméstica Aurilene Lima da Silva, de 41 anos, teve um fim semelhante depois que teve o pedido de transferência para o HGP negado três vezes. Segundo o diretor da UPA Sul, João Carlos Miele, a história de muitos poderia ser diferente.
“Talvez algum destes casos, pode ser que mesmo indo para o HGP, às vezes o desfecho não seria diferente por um infarto agudo, um AVC maligno. Pode ser que alguns deles não teriam um desfecho diferente, mas a gente só saberia isso se a gente tivesse tentado, tivesse conseguido chegar lá fazer um diagnóstico”, disse.
Uma resolução do Ministério da Saúde diz que pacientes só podem ficar na UPA por no máximo por 24h, pois essas unidades não têm estrutura para atendimentos complexos.
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Mudança na regulação
A crise no setor de regulação da Secretaria Estadual de Saúde piorou em novembro de 2021, quando o estado resolveu fechas as portas do HGP por causa da superlotação e implantou um novo sistema de regulação.
“A gente estava com 90 pacientes no corredor. Os médicos falaram que se continuasse recebendo do jeito que estava, sem critério, sem como deveria ser o fluxo realmente ia chegar a 200 pacientes nos corredores. Então, qual foi a medida tomada pela equipe técnica: só vamos receber pacientes que realmente vão ser regulados e são do nosso porte. A medida foi tomada para não causar um colapso na saúde pública, inclusive do HGP”, disse o secretário Afonso Piva, em novembro de 2021.
Desde então, o setor foi alvo de várias polêmicas. Na semana passada os secretários de saúde do estado e do município chegaram a debater a responsabilidade de cada um em entrevista à TV Anhanguera.
Nesta segunda-feira (15), a procuradoria-geral de Justiça do Ministério Público resolveu abrir uma investigação para apurar a responsabilidade criminal pelas mortes dos pacientes. O pedido foi feito pela Defensoria Pública.
“Quando a gente começou a ter acesso às informações da quantidade de pacientes que estão no sistema de regulação, já à disposição do estado porque aqui não tem hospital municipal, então o Estado não buscou esses pacientes não autoriza o encaminhamento e muitos vêm a óbito, é óbvio que isso precisa ser esclarecido. Judiciário, Ministério Público e Defensoria, nós não estamos tendo sucesso nas ações de fazer”, comentou o defensor público Arthur Pádua.
Também nesta segunda-feira (15) a Justiça deu um prazo de 48 horas para a Secretaria de Estado da Saúde apresentar informações sobre a regulação de pacientes em uma Ação Civil Pública proposta pela Prefeitura de Palmas.
O que diz a Secretaria de Estado da Saúde
A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) informa que recebeu, às 12h02 do dia 8 de março de 2023, a solicitação para admissão do paciente Manoel Barbosa de Carvalho, no Hospital Geral de Palmas (HGP).
A Pasta destaca que as equipes da Central Estadual de Regulação e da unidade hospitalar trabalhavam incessantemente para receber o paciente. Porém, em menos de 10 horas após o pedido ser realizado, às 21h57, foram informados que o mesmo veio a óbito.
A SES-TO lamenta profundamente o falecimento do senhor Manoel Barbosa de Carvalho e se solidariza com a família.
Sobre as decisões mencionadas por este veículo, a SES-TO não foi notificada, mas caso isso ocorra, está pronta para dar todas as informações necessárias.
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Fonte: G1 Tocantins