Áudios revelam esquema de adulteração de motos roubadas que eram vendidas como se fossem de leilão

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Segundo a polícia, cerca de 100 motocicletas podem ter sido clonadas revendidas pelos criminosos. Até notas fiscais falsificadas eram entregues aos compradores. Áudios revelam esquema de falsificação e adulteração de motos em Palmasæ
Conversas encontradas em um telefone apreendido pela Polícia Civil revelaram como funcionava o suposto esquema de adulteração e venda de veículos roubados. Nos áudios, o suposto líder da quadrilha, Jaaziel Santana, explica para os comparsas como deveriam ser feitas as adulterações nos veículos e em notas fiscais. Segundo a polícia, cerca de 100 motos podem ter sido clonadas vendidas pelos criminosos.
Comparsa: Tu tem que explicar pra mim o que tu quer. Mandou o negócio, mas não falou. Tu quer que faça o que desse negócio?
Jaaziel: Aí tá KF, fala pro menino colocar EF. EF. Não me vem com trem errado, não! Já faz logo esse negócio aí, que o menino vai mandar o PIX agorinha aí.
Segundo a polícia, na conversa, ele explica para outra pessoa, como deve ser a falsificação do documento e o comparsa ainda ironiza.
Comparsa: A senha aí é o código da malandragem sua, 171.
As investigações sobre o esquema duraram pouco mais de quatro meses. O grupo encomendava furtos e roubos de motos para depois adulterar os veículos e vender como se fossem de leilão. Até notas fiscais falsificadas eram entregues aos compradores.
“Esse criminoso, por incrível que pareça, conseguiu esse emprego lá e teve acesso a essas notas fiscais de motos realmente de leilão que foram revendidas como sucatas”, explicou o delegado Rossílio Correia.
Foi a partir das conversas encontradas no telefone de Jaaziel Santana que a polícia desvendou o esquema. Ele está preso na Casa de Prisão Provisória de Palmas.
Comparsa: Fala aí, moço. Explica aí pra mim, aí. Se é esse negócio que eu te mandei aí agora. É? O cara tá querendo saber aqui moço. Olha aí.
Jaaziel: A nota fiscal. Do jeito que cê faz as outras, moço. Pra fazer essa aí, ajeitar essa aí. Do mesmo jeitinho [sic]. Entendeu? uai, cê faz direto.
Criminosos adulteravam chassi, motor, placa, lacre e a etiqueta de identificação
Divulgação/DICOM/SSP-TO
A operação recebeu o nome de Reprise justamente porque o suposto líder do grupo foi preso pela Polícia Civil por mais de dez vezes e responde a mais de 20 casos de receptação e clonagem de veículos.
Para dificultar a identificação das motos os suspeitos adulteravam chassi, motor e placa das motocicletas. Os investigadores estimam que mais de 100 motos roubadas foram esquentadas com notas fiscais falsas e revendidas pelo grupo para compradores de diversas partes do estado.
“Muitas destas motos eram motos novas, seminovas que foram vendidas como se fossem sucata, moto antiga de 2004. Então é natural que a pessoa poderia desconfiar que essas motos eram de origem ilícita. Por isso alguns serão indiciados também por crime de receptação”, disse o delegado.
Desde o início da operação, a polícia já recuperou e devolveu aos proprietários mais de 20 dessas motos. A ação contou também com participação da divisão de inteligência do 1º batalhão da Polícia Militar.
Os policiais ainda suspeitam que mais criminosos ajam dessa mesma forma na capital, por isso as investigações continuam e a população deve tomar cuidado. “Vou comprar uma moto que é de leilão. O cara te oferece a nota, está achando que tá tudo ok, olha o motor. Se estiver lixado você se sai daquela situação, procura a delegacia e denuncia”, orientou a comandante do 1º BPM, Marlene Alves.
Entenda
Polícia acredita que pelo menos 100 veículos foram adulterados
Divulgação/DICOM/SSP-TO
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Palmas e Porto Nacional, na manhã desta quarta-feira (1º), em operação contra um grupo suspeito de adulterar e vender motos roubadas. O suposto chefe do grupo e mentor do esquema já estava preso na Casa de Prisão Provisória de Palmas.
A operação foi realizada pela Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA) em conjunto com o setor de inteligência do 1° Batalhão da Polícia Militar. Os mandados foram cumpridos nas casas de dois suspeitos de participar do esquema.
Os investigadores descobriram que o líder do grupo pedia para outros criminosos roubarem e furtarem motocicletas em Palmas. Os veículos eram repassados para que fossem adulterados e vendidos.
De posse dessas motocicletas, os suspeitos adulteravam o chassi, motor, placa, lacre e a etiqueta de identificação. Eles ainda “esquentavam” as motos com documentos ideologicamente falsos de outros veículos idênticos. Para isso, o grupo falsificava nota fiscal de empresas de leilão, com a inclusão de dados de veículos em situação regular.
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Fonte: G1 Tocantins