Kauã Vinicius Lobo da Silva, de 19 anos, e o amigo, Pedro Duarte, foram mortos a tiros no dia 4 de maio, no Jardim Aureny II. De janeiro até 15 de maio, 65 pessoas foram assassinadas, segundo balanço feito pelo g1. Balanço mostra perfil das vítimas de homicídio em Palmas em 2023
A mãe do jovem Kauã Vinicius Lobo da Silva, de 19 anos, assassinado no dia 4 de maio em Palmas, disse que ele recebeu ameaças dias antes de ser alvo de tiros. Maria Lobo se emocionou ao comentar que Kauã morreu muito jovem e sem conhecer a filha, que deve nascer no mês de junho.
“Meu filho teve a vida dele tirada muito jovem, muito cedo. Meu filho ia ter uma filha. A filha dele vai nascer agora em junho, já sem o pai. Estou uma mãe desesperada, pedindo justiça”, lamentou.
Kauã trabalhava na limpeza de um hospital público. Ele e o amigo, Pedro Duarte, estavam dentro de um carro quando foram surpreendidos por disparos de arma de fogo. Os dois morreram no local. Os suspeitos do crime estavam em uma moto. A mãe conta que antes de morrer, o filho procurou a polícia porque estava recebendo mensagens com ameaças, mas que nada foi feito.
Kauã foi assassinado a tiros em Palmas, no dia 4 de maio
Arquivo Pessoal
Dias depois, Victor Gabriel, de 18 anos, que trabalhava com a mãe em um viveiro de eucalipto, também foi assassinado durante uma ida ao mercado.
“Quando ele não estava nesse campinho jogando futebol, ele estava no quarto, não era menino de rua, não era menino de farra, não era um menino de bebedeira. A gente queria um esclarecimento pela morte do Vitor”, destacou a tia Lilian Alves.
Um levantamento feito pelo g1, com dados da Lei de Acesso a Informação, apontou que de 1º de janeiro a 15 de maio deste ano, Palmas registrou um recorde de homicídios. Foram 65 assassinatos.
O levantamento também revelou o perfil das vítimas: 62 eram homens, sendo 70% negros ou pardos, que viviam na periferia e tinham entre 20 e 30 anos. Mais da metade deles não tinha ficha criminal.
Victor foi assassinado a tiros em Palmas
Reprodução/TV Anhanguera
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A maioria das mortes aconteceu na região sul da cidade. Veja lista dos bairros com mais crimes:
Jardim Taquari – 5 homicídios
Aureny II – 4 homicídios
Aureny III – 4 homicídios
Setor União Sul – 3 homicídios
Aureny I – 3 homicídios
Morada do Sol – 3 homicídios
Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Tocantins, Cristian Ribas, o perfil das vítimas revela o racismo estrutural
“Nesses territórios a gente observa que houve essa explosão no número de mortes, onde os aparelhos públicos funcionam com maior precariedade. Esses jovens sem oportunidade, sem condições de se desenvolverem, acabam sendo expostos a esse tipo de violência”.
O levantamento também apontou o índice de solução dos inquéritos de homicídios neste ano em Palmas. Dos 65 casos, apenas sete foram concluídos, sendo seis deles com autoria identificada.
O professor Tarsis Barreto, doutor em segurança pública, acredita que o estado precisa estar mais presente nas regiões periféricas.
“Há a necessidade de que sejam desenvolvidas políticas de segurança públicas, em sintonia com políticas sociais para que haja uma alocação preferencial, racional dos recursos públicos que são escassos, para essas áreas que são mais sensíveis dentro deste grande mapa da criminalidade”.
O que diz a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Militar do Tocantins disseram que têm adotado medidas para enfrentar a violência na capital, aumentando o efetivo nas delegacias especializadas, incorporando 958 soldados da PM nas ruas e ampliando as ações ostensivas e barreiras policiais. Informaram que aumentaram o efetivo também da Força Tática e sua atuação na capital com operações especiais.
Reforçaram que investigações relacionadas aos crimes de homicídios são complexas e demandam um tempo maior. Dos 90 inquéritos instaurados neste ano em Palmas referentes a crimes de homicídio, feminicídio e tentativa de homicídio, dez foram concluídos.
Informaram também que neste ano foram realizadas 31 prisões, referentes também a casos de anos anteriores e algumas resultaram na captura de membros de organizações criminosas.
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Fonte: G1 Tocantins