Mulher de 41 anos morre em UPA de Palmas enquanto esperava transferência para o HGP

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Isaías Rodrigues esteve com a esposa Aurilene Lima da Silva, de 41 anos, duas vezes na UPA Sul. O marido disse que unidade informou que ela pode ter sido vítima de dengue hemorrágica. Aurilene Lima da Silva, de 41 anos, morreu na UPA Sul na segunda-feira (8)
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Sofrendo com dores no estômago, Aurilene Lima da Silva, de 41 anos, buscou atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento da região sul de Palmas (UPA Sul) na madrugada de domingo (7). Ela voltou para casa e mais tarde, retornou à unidade com as mesmas queixas. Mas depois do quadro de saúde se complicar e de três tentativas de transferência para o Hospital Geral de Palmas (HGP), ela não resistiu e morreu.
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Quem acompanhou todo o sofrimento de Aurilene foi o marido, o montador Isaías Rodrigues, de 37 anos. Ao g1 Tocantins, ele relatou o que aconteceu desde o primeiro atendimento, a dificuldade em conseguir a transferência e, ao final, como recebeu a notícia da morte da esposa.
Aurilene e Isaías na Upa Sul
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Ele contou que na madrugada de domingo, a mulher estava com dores no estômago e eles foram para a UPA Sul.
“No sábado ela começou a sentir essas dores. Por volta de 1h40 da madrugada [domingo] ela acordou reclamando dessa dor. À 1h46 nós fomos direto para a UPA e chegando lá fizemos a triagem, mediu a pressão e estava ok, também estava sem febre. Passou uma medicação e aplicou na veia e foi liberada para casa porque ela se sentiu melhor”, disse.
O casal, que morava em Taquaralto, voltou para casa e Aurilene passou o domingo bem e chegou a se alimentar um pouco. Por volta das 18h40, as dores voltaram e novamente buscaram atendimento na UPA Sul.
“Antes de chegar na UPA ela já estava sentindo febre. Chegando lá ela estava queimando em febre. Fez a triagem novamente e levaram ela para uma sala para aplicar a medicação para dor de novo. Não demorou muito tempo tornou a voltar as dores. Fui atrás da enfermeira para ela me ajudar”, relatou.
Isaías relembrou que a mulher ficou tão mal que começou a vomitar sangue e deram mais medicação para ela, que conseguiu dormir durante a noite. Entretanto, na manhã de segunda-feira (8) as dores continuaram e havia sangramento quando ela tossia.
“Retiraram ela dessa sala e levaram para uma sala de emergência, sala vermelha, e não me deixaram mais ver ela. Isso estava amanhecendo o dia, umas 6h. Eles intubaram ela e por volta de 11h40 e vieram com a notícia que ela veio a óbito. Nesse momento eu já tinha entrado em desespero”, lamentou.
Ele contou também que a unidade municipal fez três pedidos de transferência para o HGP e todos foram negados. A explicação recebida foi de que Aurilene teve dengue hemorrágica. “Mas isso só depois que ela foi a óbito. Da transferência, eles disseram que foi o HGP que negou o pedido deles, que não tinha vaga”.
Aurilene Lima costumava acompanhar Isaías Rodrigues em viagens de trabalho
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Isaías disse que percebeu que a UPA não tem estrutura para intubar uma pessoa e que chegou a pedir para fazer exame de ultrassom, mas que não foi atendido porque não tinha o aparelho. “Ela faleceu muito rápido depois que ela foi lá para a sala. Tem que melhorar, ali não pode estar acontecendo isso”, reclamou.
Bastante abalado, Isaías contou que a mulher não tinha nenhum problema de saúde aparente e que era sua companheira nas viagens a trabalho. Ela deixou três filhas que eram fruto de um casamento anterior.
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O que dizem os órgãos de saúde
Sobre a recusa em aceitar a paciente no HGP, em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) disse que após receber a solicitação de transferência, iniciou imediatamente o processo de regulação para remanejamento. Mas que, em poucas horas e antes que a paciente pudesse ser encaminhada, a SES-TO foi comunicada do falecimento.
O g1 acionou a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) de Palmas para saber o que aconteceu durante o atendimento de Aurilene, com relação a procedimentos como o de intubação e oferta de exames, relatados pelo marido da paciente, e aguarda resposta.
O Ministério Público do Tocantins (MPTO) e a Defensoria do Estado também estão acompanhando o caso.
O MP afirmou que está tramitando uma Ação Civil Pública (ACP) que requer que o Estado adote medidas para evitar a morosidade na transferência de pacientes para leitos em hospitais de referência e que tem realizado audiências administrativas para cobrar do Estado e do Município providências para assegurar o atendimento dos pacientes que precisam ser transferidos das UPAs para o HGP.
A Defensoria Pública do Estado informou que vem atuando, tanto de forma extrajudiciais quanto na esfera judicial, sobre a regulação de pacientes da Capital que precisam ser internados no Hospital Geral de Palmas (HGP). Na Justiça, atualmente os processos estão na fase de cumprimento de decisão.
Veja as notas na íntegra:
Ministério Público: O Ministério Público do Tocantins (MPTO), por meio da 27ª Promotoria de Justiça, informa que está tramitando uma Ação Civil Pública (ACP) que requer que o Estado adote medidas para evitar a morosidade na transferência de pacientes para leitos em hospitais de referência. Além de garantir maior agilidade no atendimento, a ação visa diminuir as filas de espera.
Paralelo à ACP, o MPTO tem realizado audiências administrativas para cobrar do Estado do Tocantins e do Município de Palmas providências para assegurar o atendimento dos pacientes que precisam ser transferidos das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) da capital para o Hospital Geral de Palmas (HGP).
A audiência administrativa mais recente aconteceu no último dia 3, ocasião em que a 27 Promotoria de Justiça solicitou informações acerca da regulação de leitos no Estado e as ações que estão sendo desenvolvidas para sanar as irregularidades.
SES: A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) esclarece que, após receber a solicitação de transferência da paciente Aurilene Lima da Silva, 41 anos, da UPA Sul, em Taquaralto, iniciou imediatamente o processo de regulação para remanejamento. No entanto, em poucas horas e antes que a paciente pudesse ser encaminhada, a SES-TO foi comunicada do falecimento da paciente.
A SES-TO lamenta profundamente o falecimento da paciente e gostaria de expressar solidariedade aos familiares e amigos enlutados.
DPE: A Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) informa que vem atuando, tanto de forma extrajudiciais quanto na esfera judicial, sobre a regulação de pacientes da Capital que precisam ser internados no Hospital Geral de Palmas (HGP). Na Justiça, atualmente os processos estão na fase de cumprimento de decisão. A orientação da Instituição é que as pessoa com perfil de assistido que estejam tendo dificuldades para conseguir transferências das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas para o HPG procurem a Defensoria Pública.
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Fonte: G1 Tocantins