Operação que achou laboratório com amostras humanas em potes improvisados investigava fraude e estelionato: ‘Causou surpresa’

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Durante operação para buscar documentos os agentes encontraram centenas de amostras espalhadas nos cômodos da casa. Polícia informou que três pessoas foram presas em flagrante. Secretário Estadual da Saúde fala sobre investigação do falso laboratório
As investigações que levaram a Polícia Civil à sede do laboratório Sicar, em uma casa de Palmas, inicialmente apuravam um grupo suspeito criar empresas de fachada para praticar de fraudes e estelionato. O delegado responsável pelo caso disse que foi uma supresa encontrar centenas de amostras humanas em potes plásticos de forma improvisada e irregular. Três pessoas foram presas em flagrante, mas pagaram fiança e foram liberadas.
“Para a nossa surpresa, a gente encontrou realmente aqui muito material biológico, coletas, vísceras humanas, não com devida destinação não era feito o cuidado necessário, até como forma de respeito ao material que foi coletado e isso nos causou surpresa”, comentou o delegado Evaldo de Oliveira Gomes.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o médico diretor técnico do laboratório clandestino, o responsável administrativo e a responsável técnica foram presos em flagrante.
Eles foram enquadrados em crime ambiental por armazenar substâncias perigosas ou nocivas à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências legais. Todos pagaram fiança e foram liberados no início da noite desta quarta-feira (11).
A investigação
O grupo vinha sendo investigado pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Deic) de Palmas há aproximadamente um ano. Inicialmente a polícia suspeitava que eles abriam empresas em nome de testas de ferro.
Após se servirem dos laboratórios por um determinado tempo, levantando consideráveis recursos econômicos, o grupo abandonava as empresas com dividas tributárias e trabalhistas, além de dar calote em fornecedores. Eles esvaziavam o patrimônio e começavam o esquema novamente.
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Divulgação/Polícia Civil
Foi diante destas suspeitas que a 2ª Vara Criminal de Palmas autorizou 15 mandados de busca e apreensão contra suspeitos distribuídos entre três núcleos. O objeto era apurar os crimes de fraude contra credores, desvio, ocultação ou apropriação de bens, estelionato e organização criminosa.
Só que durante a operação no Laboratório Sicar os agentes encontraram o inimaginável. Centenas de amostras e até órgãos humanos, como úteros, estavam sendo armazenados em todo tipo de potes de plástico espalhados de forma improvisada nos cômodos da casa. Alguns estavam até na área externa do imóvel dentro de caixas.
Também foram encontrados recipientes de coleta de urina e fezes mergulhados em um balde para serem lavados e posteriormente reaproveitados. Além disso, os papéis de pedido dos exames estavam submersos dentro das próprias amostras. O local foi interditado pela Vigilância Sanitária e pelo Conselho de Medicina.
Contratação
Conforme o Portal da Transparência, a empresa recebeu mais de R$ 3 milhões do governo do Tocantins pelo pagamento de serviços entre os anos de 2017 e 2020. A defesa do laboratório disse que as condições foram causadas por problemas da antiga gerência e vai provar inocência da atual gestão.
Amostras eram guardadas dentro de vários tipos de potes de plástico
SSP/Divulgação
A unidade prestava serviços para a Secretaria de Saúde do Tocantins e, segundo a polícia, atendia principalmente pacientes do Hospital Geral de Palmas (HGP) com suspeita ou em tratamento de câncer. No local eram feitas análises de exames de anatomia patológica e imunohistoquimica.
Durante entrevista à TV Anhanguera, o secretário de saúde do Tocantins, Afonso Piva, afirmou que quando o laboratório foi contratado possuía todos os alvarás necessários.
“Na contratação inicial eles tinham os alvarás, porque para contratar tem que ter o alvará. Então tem que ter a fiscalização municipal. Por isso, inclusive, nós passamos para o município fazer a investigação dessas situações”, disse.
O g1 questionou a Vigilância Sanitária Municipal sobre a existência de alvarás para o laboratório investigado, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Ainda segundo Afonso Piva, a empresa não recebeu recursos do governo em 2022, pois a verba estava sendo entregue diretamente à Justiça.
“Ao invés de pagar a empresa a gente pagava os débitos trabalhistas. Por mais que eu tenha contrato, vou suspender o contrato com essa empresa e vamos atrás de outra empresa o mais rápido possível. Alguns exames a gente vai conseguir fazer talvez no Lacen – Laboratório Central de Saúde Pública do Tocantins, que a gente vinha se preparando para isso”, afirmou.
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Fonte: G1 Tocantins