Duas mulheres que estão no topo da lista aguardam há mais de 60 dias pelos procedimentos. Secretaria de Saúde afirma que está buscando soluções para agilizar operações. Famílias se preocupam com demora para a realização de cirurgia no HGP
Pacientes neurológicos estão esperando há mais de 60 dias por cirurgias que são consideradas urgentes, mas que não têm previsão de quando serão realizadas. Esse é o caso da Célia, de 39 anos. Ela tem um tumor na cabeça e está internada no Hospital Geral de Palmas (HGP).
O marido dela, Bruno Cardoso, afirma que o nome da esposa aparece na terceira posição da fila de espera, mas o problema é que essa fila não anda. “A gente queria que fizessem as cirurgias porque se seguisse a lista que eles mostram para a gente ela já tinha feito a cirurgia e creio eu que já estaria em casa. Aí eu me pergunto, porque não fizeram ainda, porque não chamam ela? Vão deixar morrer no leito ou dar outras lesões devido ao problema?”, reclamou.
Na rede particular a cirurgia dela ficaria no valor de R$ 100 mil e a família não tem condições de pagar. Enquanto a espera não termina, a situação da mulher se agrava e o bruno se revolta com a falta de informação.
Em situação semelhante está a dona Maria, de 66 anos, mãe do José Divino Saraiva. Eles são de Bernardo Sayão, no norte do estado, e estão no HGP há mais de 60 dias. Ela também está com câncer na cabeça e segundo o filho é a primeira da fila, mas nunca foi chamada.
“O tumor dela está do tamanho de uma laranja e a gente está há 64 dias na espera. Eles sempre alegam que não tem um leito de UTI disponível, tem que disponibilizar uma equipe médica para tirar o tumor da minha mãe e nessa espera a gente vem”, afirmou.
Paciente aguarda cirurgia no HGP
Reprodução/TV Anhanguera
O lavrador conta que não sabe mais o que fazer. “Pagamos imposto todo santo dia e a gente vê isso. Não dá para não dizer que é um descaso. Minha mãe até chegou a pensar que os médicos não querem fazer a cirurgia dela porque pode vir a óbito”, disse.
Por causa da pandemia as cirurgias que não eram consideradas de urgência foram suspensas e o Estado chegou a acumular 6,6 mil pessoas na fila de espera. Os procedimentos foram retomados no ano passado, mas aproximadamente de três mil ainda aguardam por uma operação.
Desde que essas cirurgias foram retomadas as filas de espera não estão andando conforme o esperado. A Defensoria Pública entrou no caso pedindo para que o Estado apresente um plano para dar mais celeridade no processo.
O que diz a Secretaria de Saúde
Secretário de Saúde fala sobre o andamento das cirurgias eletivas no Tocantins
A Secretaria Estadual da Saúde afirmou que as cirurgias das pacientes mostradas na reportagem serão realizadas e que elas estão recebendo os cuidados da equipe profissional, enquanto aguardam a liberação de leitos de UTI.
A SES disse ainda que um processo para a contratação de novos leitos foi finalizado e isso deve dar celeridade a realização dos procedimentos cirúrgicos que necessitam deste aporte.
Em entrevista à TV Anhanguera, o secretário de saúde Afonso Piva disse que a secretaria respeita a fila e o critério médico. Afirmou ainda que está buscando soluções para dar mais agilidade aos procedimentos, como a contratação de mais médicos e a negociação para os cirurgiões operarem também fora de seus expedientes, além de ampliar os leitos de UTI.
“Vamos aumentar mais quatro salas cirúrgicas dentro do HGP. Tinha o ambiente, mas não tinha os equipamentos. Compramos e nesta semana vai aumentar mais quatro salas e vamos deixar uma exclusiva para neurologia para ver se conseguimos ser mais rápidos”, prometeu.
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Fonte: G1 Tocantins
