Pelo menos 10 bebês foram internados por desnutrição no ano passado no TO, aponta levantamento

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Informações divulgadas pela Fiocruz mostram que mais de 280 mil tocantinenses não tinham o que comer em 2022. 10 bebês foram internados por desnutrição no Tocantins
Um levantamento realizado pela Fiocruz apontou que pelo menos 10 bebês, com menos de um ano, foram internados por desnutrição no Tocantins em 2022. Ainda segundo as informações, mais de 280 mil tocantinenses não tinham o que comer, nesse mesmo período.
Na casa da Francielle da Silva Costa, não falta comida. Mas o pouco que eles têm supre apenas as necessidades básicas da família. A maior preocupação dela é com a filha.
“Ela necessita de muita coisa. Como é bebezinha, temos cuidado mais excessivo com ela. O que a gente compra mais é o arroz, o feijão, os legumes, as frutas”, disse.
O levantamento aponta que no Tocantins, a cada 10 pessoas, apenas três têm acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente e sem comprometer o acesso a outras necessidades. Isso resume a chamada segurança alimentar.
No outro extremo dessa realidade, estão milhares de tocantinenses que passam fome. Essa é a insegurança alimentar grave que atinge 17% da população tocantinense.
“A insegurança alimentar grave, que a gente está chamando de fome, subiu para patamares de 15,5%. Isso, nessa última pesquisa. Quando a gente olha dados de 2004, a insegurança alimentar grave era de 9,5%. Então, a gente piorou em relação a 2004, é como se a gente tivesse regredido. O Tocantins está pior do que a média”, explicou a representante da Rede Penssan, Elaine Martins Pasquim.
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A pediatra Maysa Dal Col Freire explicou que, no caso dos bebês, a desnutrição pode prejudicar o desenvolvimento motor e provocar doenças, como a anemia.
“Uma alimentação adequada faz toda a diferença para que essa criança cresça e desenvolva corretamente. E quando a gente fala de desenvolvimento, a gente fala de desenvolvimento motor, que são as habilidades que a criança vai desenvolver, como por exemplo, sentar, andar, o desenvolvimento da linguagem. Uma doença, que é muito comum no nosso meio, e que é bem específica nesse caso da desnutrição, é a anemia”, argumentou a pediatra Maysa Dal Col Freire.
Entre as formas de combate à insegurança alimentar estão os programas de redistribuição de renda. Quanto maior o número de beneficiados, mais grave é a situação. No Tocantins, o CadÚnico, cadastro do governo federal, que lista lares com renda de até meio salário mínimo por pessoa, conta com 368 mil famílias cadastradas.
O sociólogo João Nunes argumenta que é impossível vencer a fome, sem o envolvimento do poder público.
“Se você tem uma parcela da população que passa fome, isso não é por acaso. Não é questão individual. Há problemas externos, problemas de crise econômica, mas cabe ao estado dizer: ‘O que vamos fazer? Qual é a política pública que deve ser adotada com urgência, a curto ou a médio prazo para ir resolvendo isso’?”, ressaltou.
Insegurança alimentar é um problema coletivo, até porque quando uma família passa fome, toda a sociedade é impactada.
“Uma pessoa com fome não produz, não estuda, não trabalha, não tem força suficiente para movimentar a sociedade. Se ela não tem força suficiente para movimentar a sociedade, ela não movimenta a economia. Então a fome atrapalha, não só a nutrição das pessoas, como atrapalha também o desenvolvimento cultural e econômico de um país”, finalizou a doutora em geografia humana, Gleys Ramos.
A Secretaria Estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social disse que coordena, orienta e apoia os municípios nas ações de promoção e garantia da segurança alimentar e nutricional da população.
A pasta também informou que pretende implantar o programa ‘Cozinhas Comunitárias’ em 15 cidades para servir refeições para até 100 pessoas, três vezes por semana, em cada município, além de dar continuidade no programa Vale Gás, que atenderá 24 mil famílias.
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Fonte: G1 Tocantins